17 março 2011

Legitimidade de crítica e poder econômico



Muito já ouvi pessoas criticando ricos que "se metem", segundo elas, a opiniar a respeito do governo ou da conjuntura social.


Seus argumentos (?) se resumem a uma pergunta dirigida aos "abastados": Como você pode avaliar a realidade social do seu apartamento à beira-mar?


Ressalto, aqui, que não sou rica, tampouco moro à beira-mar. Mas se morasse, imagino que isto não me impediria de tomar posições políticas. Nem o mar diante da minha hipotética residência turvaria minha visão para a questão social (não gosto de utilizar a expressão "realidade social", uma vez que ainda não encontrei sociólogo, antropólogo, jurista ou qualquer teórico capaz de explicá-la total e precisamente - e acredito que jamais o acharei, dada a impossibilidade cognoscitiva de tal tarefa).


Estariam legitimados para a crítica social apenas os pobres, favelados e marginalizados?

Reconheço que todos estes representam o empírico da exclusão, entretanto, duvido seriamente de sua maior capacidade de encontrar diretrizes governamentais se comparados a outros setores da população. Se assim o fosse, certamente teríamos resultados eleitorais louváveis advindos desta classe. Infelizmente, isto não acontece. Vejam bem: Com isto não quero dizer que tenhamos o oposto do cenário na elite brasileira. Vota-se mal, no Brasil, em todas as classes econômicas.


Diante disto, questiono-me, então:


Será que os ricos não podem ter visão social?

Solidariedade?

Consciência política?


Ou será que também não pagam impostos?


Acima de tudo: Será que não são cidadãos?


Acredito, inclusive, que dos apartamentos à beira-mar daqui nossa Ponta Verde se dê para enxergar não só os belíssimos coqueirais da orla de Maceió, mas também as crianças de rua, os mendigos e os dependentes químicos que lá, assim como no resto da cidade, infelizmente transitam.

3 comentários:

Tudo ou Nada disse...

Mariana

Reconheço a opinião de todos, independente de credenciais. Entretanto, bom saber q reconhecer não é o mesmo que aceitar.
Existe uma linha de pensamento popular que preconiza que os pobres não têm meios de modificar sua própria situação(avalie a situação da sociedade como um todo), de forma que resta aos mesmos a incubência de reclamar ou se resignar com a realidade que os cerca.
Nesse sentido, os ricos têm uma tarefa oposta(qual seja?): proporcionar as melhorias necessárias ao desenvolvimento da sociedade. Não somente por possuirem meios, mas tambem pelo fato de serem mais capazes (fardo do homem branco).
Apesar de discordar do argumento supracitado, percebo que o mesmo serve para explicar a atitude ou falta de atitude de muitas pessoas.
Exercer o direito de se manifestar sobre qualquer assunto é uma atitude corajosa, e louvavel quando feita com o rigor necessário.
Assistindo ao filme Barão Vermelho, ouvir uma frase que resumi bem meu ponto de vista sobre o assunto.
Segundo o pai do barão: "um oficial não tem o direito de se lamentar".

Lestat disse...

Minha cara, vincular a capacidade de análise e crítica à classe social das pessoas é, no mínimo, leviano.
Pra mim, é o grau de intelectualidade que denota a capacidade de análise e crítica de uma pessoa.
Há mais intelectuais nas chamadas classes dominantes? Infelizmente sim, mas esse não é o tema do post. Aí já são outros 500.

Abração.

João F. disse...

A "questão social, como você mesma ressalta, Mariana", não se faz vista apenas por uma espécie de pupila. E as pupilas que notam-na não possuem riqueza, sexo, idade, etc. Os olhos que captam toda a celeuma e desigualdades possuem, tão-somente, uma característica em comum: o bom-senso (ou a sensibilidade, segundo os sentimentalistas).